Até você, Lufthansa ?



Greve de pilotos expõe fraquezas da companhia, reconhecida como uma das aéreas mais eficientes do mundo e que agora enfrenta até receitas em queda

Adriana Mattos

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Poucas empresas construíram uma imagem de eficiência a toda prova como a companhia aérea alemã Lufthansa. Fundada em 1926, sempre foi reconhecida pelo serviço de primeira, pela pontualidade (“a virtude dos reis”, segundo seu slogan) e pela vitalidade financeira. No início do século, a Lufthansa foi uma das únicas gigantes do setor a passar ilesa pela crise que adveio com os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

Na semana passada, o mundo descobriu uma outra faceta da companhia. Na segunda-feira 22, seus pilotos votaram favoravelmente por uma greve mundial. De uma só vez, a Lufthansa teve que cancelar 1,2 mil de seus 1,8 mil voos. O plano era parar a empresa por quatro dias. Por dia, a greve provocaria perdas de 25 milhões de euros. Nove horas após o anúncio da paralisação, o sindicato dos pilotos decidiu dar uma trégua e a companhia voltou a operar normalmente. Mas o estrago já estava feito. Afinal, o que aconteceu com a corporação que sempre serviu de exemplo para o setor?

A Lufthansa foi vítima de um dos males que afetaram os resultados da americana General Motors: os encargos e amarras trabalhistas. Para entender o problema, é preciso voltar no tempo. Em 1992, a companhia assinou um acordo com o sindicato dos pilotos que estabelecia que apenas funcionários da própria Lufthansa – e não de outras companhias aéreas menores que fazem parte do grupo – pilotassem os seus aviões maiores, com mais de 70 assentos.

Agora, a empresa quer rever esse acordo. Em busca de retornos melhores, a Lufthansa pretende colocar em prática um programa de remanejamento que permitiria a transferência de pilotos de companhias aéreas menores. A Austrian Airlines foi comprada há dois anos pela Lufthansa e em outubro a empresa alemã adquiriu o controle da britânica BMI. Pilotos dessas empresas recebem salários até 40% menores que os da Lufthansa. Para evitar que o acordo assinado em 1992 fosse alterado, o sindicato entrou em ação. “Esse conflito se tornou muito difícil de resolver, o que acabou levando a essa greve geral”, disse à DINHEIRO o analista Jochen Rothenbacher, da Equinet.

Outro problema enfrentado pela Lufthansa diz respeito à própria transformação do setor. Não é exagero dizer que a companhia se tornou refém do modelo de negócios que a consagrou. Hoje em dia, é difícil oferecer serviços sofisticados diante dos preços cada vez menores das passagens Ou seja: é cada vez mais complicado estender o tapete vermelho aos passageiros e cobrar caro por isso num mercado em que as companhias de baixo custo crescem num ritmo maior, arregimentando clientes que não estão preocupados com conforto ou atendimento diferenciado.

No ano passado, a receita bruta da Lufthansa recuou 13%, enquanto o número de passageiros aumentou 3%. O que explica o disparate? Segundos analistas, para não perder passageiros, a empresa recorreu a promoções e redução do valor dos bilhetes, o que acabou impactando na performance financeira da companhia. O presidente mundial da empresa alemã, Jurgen Weber, atribui também os maus resultados à crise do setor, que foi profundamente afetado pelas turbulências econômicas na Europa e nos Estados Unidos. Em sua história, a Lufthansa sempre achou uma saída. Vai encontrar outro caminho agora?

Fonte: REVISTA ISTO É DINHEIRO, via NOTIMP



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