Resort voador



O lançamento do conceito de cruzeiro aéreo reacende o sonho de quem quer viajar pelos ares de forma inusitada. Escolha a sua.

André Julião

Em um hotel, a vista do quarto é sempre um fator de peso para determinar o preço da hospedagem. É de se imaginar, portanto, que um resort em que a paisagem mude constantemente para melhor faça sucesso entre quem puder pagar por tamanho privilégio. Esse será apenas um dos prazeres do Aircruise – ou cruzeiro aéreo, em português. A ideia consiste basicamente em um balão dirigível, como o antigo zepelim. A nova invenção, no entanto, é equipada com poucos e luxuosos apartamentos. “A física da aeronave requer um gigantesco volume de gás para que ela possa voar, mas exige que carregue um peso relativamente leve.

Isso permite que haja grandes espaços e poucas pessoas a bordo – o que é um luxo para qualquer viagem”, afirma Nick Talbot, diretor de design do estúdio Seymourpowell, que desenvolveu o conceito. Do lado de fora, o balão é um losango de 265 metros de altura. Seu corpo é composto por quatro “envelopes” cheios de hidrogênio. Por dentro, dez apartamentos: quatro dúplex, cinco menores e um na cobertura. Além de tudo isso, há um bar, espaços de convivência e um amplo hall – tudo com enormes janelas ou, simplesmente, sem paredes.

Como não será pressurizado, o balão só poderá subir a 3,6 mil metros de altura – um Boeing voa a cerca de dez mil. A velocidade de cruzeiro não ultrapassaria os 150 quilômetros por hora. Uma viagem de Londres a Nova York, por exemplo, duraria longas 37 horas. “O conceito do Aircruise questiona se o futuro do turismo de luxo deve ser baseado em torno de espaços apertados, alto consumo de recursos e o frequente stress de uma viagem de avião”, diz Talbot.

“Uma experiência de transporte mais tranquila vai atrair pessoas que procuram uma jornada mais reflexiva, em que a experiência de viajar seja mais importante do que ir de um ponto a outro rapidamente.” O resort voador deve ser movido a energia solar, de acordo com o anseio moderno por energias menos poluentes. Como é apenas um conceito, o Aircruise ainda está longe de decolar do papel – Talbot não fala sobre a sua data de lançamento oficial. Não será, porém, a primeira nem a última vez que o homem procura formas inusitadas de cruzar os ares – e mesmo a estratosfera.

A Virgin Galactic, mais uma empresa do bilionário inglês Richard Branson, promete levar turistas ao espaço em breve. Quem estiver disposto a pagar US$ 200 mil poderá passar, já em 2012, cinco minutos a uma altitude de 110 quilômetros a bordo da SpaceShipTwo. Dentro da nave, os endinheirados poderão ver o contorno da terra – e flutuar entre as poltronas, graças à ausência de gravidade. Com os pés no chão, a empresa Terrafugia promete para o ano que vem o primeiro carro voador do mundo. Trata-se do Transition, um automóvel movido a gasolina parecido com muitos outros.

A diferença é que, no dia em que o trânsito estiver infernal, o motorista- piloto pode acionar as asas dobráveis e levantar voo – desde que tenha pista suficiente para decolar. Agora, se você não quiser esperar por nenhuma dessas promessas, já pode desembolsar US$ 155 mil e comprar um Jetpack H202. O dispositivo é uma mochila capaz de conduzir o piloto a 112 quilômetros por hora. O prazer, porém, é fugaz. Graças ao seu alto consumo de combustível, o dispositivo voa por meros 33 segundos. É o oposto de estar num resort flutuante, mas o mais próximo que existe de ser um super- homem.

Fonte: REVISTA ISTO É, via NOTIMP



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